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Quem escuta as travestis?

  • Foto do escritor: Paulo Ribeiro
    Paulo Ribeiro
  • 30 de mai. de 2023
  • 2 min de leitura


Assim que descobre-se uma gravidez é comum em muitas famílias a realização do chá revelação. É menino ou menina? Se você acha que aparentemente, o órgão sexual do ultrassom responde a pergunta, esse não é o caso das pessoas trans.

Não é o caso de nenhuma pessoa na verdade. O que se sabe é que as razões pelas quais alguém se torna homem ou mulher passam por uma confirmação inconsciente de algum modelo de gênero existente no mundo, algo que escapa do querer, seja o próprio, seja o do mundo. Quem não se adequa ao gênero que ganhou quando nasceu, tem que lutar a todo momento pra afirmar o gênero que se identifica. A família, lugar de inserção primeira, tende a ser um dos mais hostis. Seja pela imposição do seu ideal de gênero como pelo seu papel de suporte que é comumente negado as pessoas trans. A escola consegue ser ainda pior. Devido ao forte tabu sobre crianças e adolescentes LGBTs, finge-se que todos são cisgeneros e heterossexuais. Dizem que criança não tem sexualidade, mas a história do livro infantil não fala da princesa que casou com a princesa. Crianças afeminadas crescem aos gritos de bixa, veado, frango e gay e na maioria das vezes, são mesmo. Mas qual o problema?

Ao sofrer uma violência, surge uma mudança da percepção de si e do mundo, uma dificuldade de pôr em palavras o que se viveu, o intragável que mobiliza fortemente os sentimentos.

A imensa maioria dos lugares da cidade são cisheterossexuais: as escolas, o local de trabalho, os caminhos da cidade.

Nesse sentido, quem tem ouvidos atentos para escutar as travestis? Elas falam desde criança, mas você ouve?

Você travesti, talvez já tenha se cansado de buscar apoios no mundo e de se permitir refletir a própria história de vida. Como também de buscar cuidados em saúde.

Ao buscar um profissional para fazer uma terapia, tenha em mente que orientação sexual e identidade de gênero são características humanas que não podem ser mudadas e nem devem determinar o tratamento que você irá receber, e isto é determinado por resolução do conselho federal de psicologia.

Você merece ser escutada, não se cale!


José Paulo Ribeiro

CRP: 02/27661

 
 
 

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